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Como escrever um press release do zero: guia completo

Um press release é um documento de uma a duas páginas que entrega uma notícia pronta para um jornalista avaliar em menos de 30 segundos: manchete factual, lead com o essencial nas primeiras linhas, dado verificável, aspa que acrescenta informação e contato de imprensa que responde. Escreve-se em pirâmide invertida — o mais importante primeiro, o contexto depois.

Sumário

  1. O que é um press release?
  2. Quando vale a pena enviar um release — e quando não vale?
  3. Qual é a anatomia de um press release?
  4. Como escrever um press release passo a passo?
  5. Como escrever a manchete?
  6. Como escrever o lead?
  7. Como usar dados sem inventar número?
  8. Como escrever aspas que o jornalista aproveita?
  9. O que é boilerplate e o que entra nele?
  10. O que precisa ter no kit de imprensa?
  11. Quais erros fazem o jornalista deletar antes de abrir?
  12. Checklist final antes de enviar
  13. Modelo de press release pronto para adaptar
  14. Perguntas frequentes

O que é um press release?

Press release é um documento enviado por uma empresa, instituição ou pessoa a jornalistas para anunciar um fato com potencial de virar notícia. No Brasil também é chamado de release, comunicado de imprensa ou press kit quando vem acompanhado de material de apoio.

O ponto que quase todo mundo erra: o press release não é uma peça de venda. Ele é um documento de trabalho. O jornalista recebe o release, avalia se aquilo interessa ao leitor dele e, se interessar, apura, checa, complementa e escreve a matéria dele — que pode inclusive contrariar você. Um release não compra espaço, não garante publicação e não substitui apuração.

Isso muda tudo na forma de escrever. Um anúncio publicitário quer convencer. Um release quer informar rápido o suficiente para que o jornalista consiga decidir. Quem escreve release com cabeça de anúncio produz um texto que o jornalista deleta.

Quando vale a pena enviar um release — e quando não vale?

O erro mais caro de PR não é escrever mal. É enviar release sobre algo que não é notícia. Cada envio irrelevante queima um pouco da sua reputação com aquele jornalista — e reputação de remetente é o ativo mais difícil de reconstruir.

Um teste honesto: o fato interessa ao leitor do veículo, ou só interessa a você?

Costuma virar pauta Raramente vira pauta
Rodada de investimento com valor e investidor confirmados Rebranding, novo logo, nova identidade visual
Dado próprio inédito sobre um setor “Empresa comemora 10 anos de mercado”
Lançamento de produto que muda preço, acesso ou regra do mercado Atualização incremental de funcionalidade
Aquisição, fusão, entrada em novo mercado Prêmio pago ou ranking de mídia comprada
Posição sobre uma mudança regulatória que afeta o setor “Executivo é promovido a gerente” (salvo C-level relevante)
Números de operação que ninguém publica (com metodologia) Presença em feira ou evento como expositor
Contratação de C-level vindo de empresa relevante Post de blog transformado em release

Se o seu fato caiu na coluna da direita, você tem duas saídas legítimas: conectar a um contexto maior (o rebranding não é notícia; a mudança de posicionamento que ele sinaliza num setor em consolidação pode ser) ou não enviar. Não enviar é uma decisão profissional válida, e mais barata do que parece.

Qual é a anatomia de um press release?

Um press release tem sete partes fixas. Elas existem porque a redação lê nessa ordem — e para na primeira que não convence.

Parte Função Tamanho
Manchete Dizer a notícia inteira numa linha 8 a 12 palavras
Linha fina (sub-head) Acrescentar o segundo fato mais importante 1 frase, até 25 palavras
Lead Responder o quê, quem, quando, onde, por quê 1 parágrafo, 30 a 50 palavras
Corpo Contexto, dados, mecânica do fato 3 a 5 parágrafos
Aspas Trazer o que só a fonte pode dizer 1 a 2 citações
Boilerplate Explicar quem é a empresa, em fatos 1 parágrafo, 40 a 60 palavras
Contato de imprensa Nome, e-mail e telefone de quem responde 2 linhas

A regra que organiza tudo isso é a pirâmide invertida: o fato mais importante vem primeiro, e cada parágrafo seguinte é menos essencial que o anterior. A razão é prática — o editor corta o release de baixo para cima. Se o seu dado decisivo está no penúltimo parágrafo, ele morre antes de ser lido.

Como escrever um press release passo a passo?

  1. Escreva a notícia em uma frase, antes de abrir o documento. Se você não consegue, não é notícia ainda — é um comunicado interno procurando desculpa para sair.
  2. Levante os fatos duros: números, datas, nomes, valores, metodologia. Sem isso, o resto é adjetivo.
  3. Escreva a manchete. Fato, não promessa.
  4. Escreva o lead respondendo às cinco perguntas em 30 a 50 palavras.
  5. Monte o corpo em pirâmide invertida, do mais importante ao contexto.
  6. Colete as aspas depois do corpo pronto — assim você sabe qual buraco a citação precisa preencher.
  7. Corte 30%. Sempre. O primeiro rascunho de todo release tem 30% de gordura.
  8. Leia em voz alta. Onde você tropeçar, o jornalista tropeça.
  9. Cheque cada número contra a fonte original.
  10. Monte o kit de imprensa e confirme que todo link abre sem cadastro.

Como escrever a manchete de um press release?

A manchete precisa entregar a notícia inteira sozinha, porque muitas vezes ela é a única coisa lida. Ela vai competir na caixa de entrada com mais algumas dezenas de assuntos, e o jornalista decide ali.

Três regras:

  • Fato, não adjetivo. “Nubank lança conta para menores de 18 anos” é manchete. “Nubank revoluciona o mercado financeiro brasileiro” é publicidade.
  • Sujeito, verbo, objeto. Ordem direta. Nada de subordinada antes do sujeito.
  • Número na manchete, quando existir. Valor da rodada, percentual, quantidade. Número é âncora factual.

Compare:

❌ Startup inovadora anuncia solução revolucionária para o mercado de logística ✅ Startup de logística capta R$ 40 milhões e vai operar em 12 estados

A segunda diz o que aconteceu, com quanto e onde. A primeira não diz nada — e ainda pede que o jornalista acredite em dois adjetivos.

Como escrever o lead de um press release?

O lead é o primeiro parágrafo e responde às cinco perguntas clássicas do jornalismo: o quê, quem, quando, onde e por quê. Em 30 a 50 palavras. Sem rodeio, sem “em um cenário cada vez mais competitivo”.

Modelo funcional:

A [empresa], [descrição de uma linha], anunciou nesta [dia] a [fato principal, com número]. [Consequência concreta para o mercado ou para o leitor].

Aplicado:

A Loft, plataforma de compra e venda de imóveis, anunciou nesta terça-feira (14) a captação de R$ 100 milhões liderada pelo fundo XP. O aporte vai financiar a expansão para Belo Horizonte e Curitiba, onde a empresa ainda não opera.

Repare no que não tem: nenhum adjetivo, nenhuma promessa, nenhuma frase de contexto genérico. Só fato, número e consequência.

O teste do lead: se o jornalista publicasse só o seu lead, ele seria uma notícia completa e correta? Se sim, está pronto.

Como usar dados no release sem inventar número?

Dado próprio é a coisa mais valiosa que uma empresa pequena tem para oferecer à imprensa. Você não tem um CEO famoso, mas tem números que ninguém mais tem — sobre o seu setor, os seus clientes, a sua operação.

Para um dado sobreviver à apuração, ele precisa de quatro coisas:

  1. Recorte claro: o que exatamente foi medido.
  2. Base: quantos casos, quantas empresas, quantos meses.
  3. Período: entre que datas.
  4. Metodologia: como foi coletado.

❌ “70% das empresas brasileiras têm dificuldade com assessoria de imprensa.” ✅ “Entre as 320 empresas que responderam ao nosso levantamento entre março e maio de 2026 — todas com faturamento anual entre R$ 5 mi e R$ 50 mi —, 70% disseram nunca ter conseguido publicação espontânea em veículo nacional.”

O segundo é mais longo. Também é o único que o jornalista consegue publicar sem ser corrigido depois.

E uma regra inegociável: nunca invente número, pesquisa ou percentual. Um dado inventado que vaza destrói a relação com a redação de forma permanente e, dependendo do caso, expõe a empresa juridicamente. Se você não tem o número, escreva a frase sem ele.

Como escrever aspas que o jornalista aproveita?

Aspa existe para dizer o que só a fonte pode dizer: intenção, decisão, avaliação, contexto interno. Se a citação pode ser dita por qualquer executivo de qualquer empresa, ela é ruído.

❌ “Estamos muito felizes com esta parceria, que reforça nosso compromisso com a inovação e com a excelência no atendimento aos nossos clientes”, afirma o CEO. ✅ “Testamos o modelo em Curitiba por oito meses antes de abrir para o país. Ali descobrimos que o problema não era preço, era prazo de entrega — e foi isso que redesenhamos”, afirma Marina Alves, CEO da empresa.

A segunda tem informação nova: onde, por quanto tempo, o que aprenderam, o que mudou. É citável.

Três regras práticas:

  • Uma a duas aspas por release. Mais que isso vira teatro.
  • Aspa de quem decidiu, não do cargo mais alto disponível.
  • Fale como gente. Ninguém diz “reforça nosso compromisso” em voz alta.

O que é boilerplate e o que entra nele?

Boilerplate é o parágrafo padrão no fim do release que explica o que é a empresa. Ele vai em todo envio, sem mudar.

Boilerplate bom tem: o que a empresa faz (em uma frase compreensível), quando foi fundada, onde fica, tamanho verificável (clientes, funcionários, operação) e site.

Sobre a [Empresa] — Fundada em 2021 em São Paulo, a [Empresa] é uma plataforma de [o que faz, em linguagem simples]. Hoje atende [número] clientes em [número] estados e tem [número] funcionários. Mais em [site].

O que não entra: “líder de mercado” sem fonte, “referência no setor”, “empresa inovadora”. Superlativo sem prova é a primeira coisa que um editor corta — e a segunda coisa que ele lembra de você.

O que precisa ter no kit de imprensa?

O kit de imprensa é o material de apoio que o jornalista precisa para fechar a matéria sem ter que pedir nada de volta. Cada ida e volta é uma chance de a pauta morrer.

Um kit mínimo tem:

  • Fotos em alta resolução (mínimo 1920px de largura), com crédito e legenda prontos.
  • Logo em PNG com fundo transparente e em vetor.
  • Foto do porta-voz, horizontal e vertical.
  • Ficha técnica: fundação, sede, número de funcionários, investidores, faturamento (se divulgável).
  • Uma página de dados: os números do release, com fonte e metodologia.

Uma regra técnica que derruba muito kit bom: o link tem que abrir direto. Sem login, sem cadastro, sem “solicitar acesso”. Se o jornalista precisa pedir permissão para ver a sua foto às 17h no fechamento, ele usa outra foto — ou outra empresa.

Quais erros fazem o jornalista deletar antes de abrir?

Em ordem de gravidade:

  1. Assunto de e-mail genérico. “Comunicado de imprensa” não diz nada. O assunto deve ser a manchete.
  2. Release sem notícia. O maior deles. Nenhuma técnica salva.
  3. Adjetivo no lugar de fato. “Revolucionário”, “inovador”, “líder”, “disruptivo”.
  4. Anexo pesado. PDF de 12 MB. Coloque o texto no corpo do e-mail e o material em link.
  5. Envio para a editoria errada. Release de tecnologia para o editor de esportes.
  6. “Prezado jornalista” em disparo óbvio para 800 pessoas.
  7. Release em PDF só. O jornalista precisa copiar e colar trechos. Não dificulte.
  8. Contato que não responde. Se o telefone do release cai na caixa postal no dia do envio, a pauta morre ali.
  9. Embargo mal explicado. Se você pede embargo, diga a data e a hora exatas, e explique o porquê.
  10. Follow-up agressivo. Um follow-up educado, dois dias depois. Um. Não três ligações no mesmo dia.

Checklist final antes de enviar

  • [ ] A manchete diz a notícia inteira, sem adjetivo?
  • [ ] O lead responde às 5 perguntas em até 50 palavras?
  • [ ] Todo número tem fonte, base, período e metodologia?
  • [ ] As aspas dizem algo que só a fonte poderia dizer?
  • [ ] O boilerplate tem fato, e não superlativo?
  • [ ] Todos os links do kit abrem sem cadastro?
  • [ ] O texto está no corpo do e-mail (e não só em anexo)?
  • [ ] O assunto do e-mail é a manchete?
  • [ ] O contato de imprensa vai atender hoje?
  • [ ] Está indo para jornalistas que cobrem essa editoria?
  • [ ] Você cortou 30% do primeiro rascunho?

Modelo de press release pronto para adaptar

ASSUNTO DO E-MAIL: [a manchete, tal e qual]

[MANCHETE: fato + número, 8 a 12 palavras]
[LINHA FINA: o segundo fato mais importante, 1 frase]

[CIDADE], [dia] de [mês] de [ano] — [LEAD: a empresa, descrição de uma
linha, anunciou nesta [dia] a [fato com número]. [Consequência concreta].]

[PARÁGRAFO 2: como o fato funciona na prática. Mecânica, não intenção.]

[PARÁGRAFO 3: o dado próprio. Com recorte, base, período e metodologia.]

"[ASPA: informação que só a fonte tem — o que testaram, o que
descobriram, o que decidiram e por quê]", afirma [Nome], [cargo] da
[Empresa].

[PARÁGRAFO 4: contexto de mercado, com fonte externa citada e datada.]

[PARÁGRAFO 5: o que vem a seguir, com data.]

Sobre a [Empresa]
Fundada em [ano] em [cidade], a [Empresa] é [o que faz, em linguagem
simples]. Hoje atende [número] clientes em [número] estados. Mais em
[site].

Contato de imprensa
[Nome] · [e-mail] · [telefone]
Kit de imprensa (fotos, logo, ficha técnica): [link que abre direto]

Perguntas frequentes

Qual o tamanho ideal de um press release? Entre 300 e 500 palavras, o que dá uma página. Dois eventos justificam passar disso: um fato com muitos números (rodada de investimento com vários investidores) ou uma pesquisa própria com metodologia. Acima de duas páginas, o release perde para o cansaço do leitor.

Press release ainda funciona em 2026? Sim, mas não como disparo em massa. O que funciona é release relevante enviado a jornalistas que cobrem aquela editoria, com dado próprio e contato que responde. O formato não morreu; o disparo indiscriminado para lista comprada é que nunca funcionou bem.

Devo enviar o release em PDF ou no corpo do e-mail? No corpo do e-mail, sempre. O jornalista precisa copiar trechos, e PDF dificulta. Se quiser, anexe o PDF também — mas o texto tem que estar legível sem download.

Qual a diferença entre press release e press kit? Press release é o texto que anuncia o fato. Press kit é o pacote de apoio — fotos em alta, logo, ficha técnica, dados. O release traz a notícia; o kit garante que o jornalista feche a matéria sem precisar pedir nada.

Quem deve assinar as aspas do release? Quem tomou a decisão, não necessariamente quem tem o cargo mais alto. Se a decisão foi de produto, a aspa do CPO vale mais que a do CEO — porque ela tem informação real dentro.

Como sei se meu release deu certo? Não pela taxa de abertura. Olhe evento a evento: quantos jornalistas receberam, quantos baixaram o kit, quantos responderam e quantos publicaram — com veículo e link. Publicação com link é prova; média de abertura não é.



Escrever bem o release é metade do trabalho. A outra metade é saber o que aconteceu depois que ele saiu — e é aí que quase toda ferramenta te entrega uma média de abertura que não prova nada. Na Clarior, cada envio vira prova por canal: enviado, aberto, baixado, respondido e publicado, com veículo e link, do jeito que se apresenta para um cliente ou para um board. Se quiser ver como isso funciona na prática, os planos começam em R$ 299 por mês (Basic), com Professional a R$ 598 e Enterprise a R$ 1.794.

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